Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo. (Drummond)
Em sete meses ultrapessei mil acessos… Fiquei feliz, não pela quantidade, que nem é muita, mas pela qualidade de pessoas que acessam… amigos de tempos, novos amigos, pessoas até que me reaproximei por causa do Blog.
E olha que devo admitir que fiz esse blog para mim, um momento egoísta meu. Não escrevo nada achando que irá tocar as pessoas, até mesmo porque não sei fazer poesias, não tenho técnicas para escrever, não escolho temas, rimas, nem palavras, nem sentidos…Criei o blog para registrar meus momentos, pensamentos e sentimentos. Por isso muita coisa que escrevo não deve ter sentido para mais ninguém no mundo. Absolutamente não escolho as palavras, não as estudo e nem procuro colocar a vírgula no lugar certo…
Mas como é um blog de amor, acho que quem ama deve se identificar com alguma coisa dele.
Ele nasceu do momento mais triste da minha vida, ele nasceu para deixar vivo um grande amor ( não que ele precisasse de algo para ser eterno). Esse blog nasceu para ser dedicado ao amor, por isso ele pertence ao meu irmão Junior, afinal foi ele quem me ensinou a amar de verdade. E mesmo através da dor, das mudanças que me rondaram depois de tudo, a mensagem continua sendo amor.
Por isso hoje terei coragem de publicar o e-mail que mandei para os meus amigos logo depois dessa dor. Não é relembrar a dor, é relembrar o amor motivador desse blog e uma forma de amar plena e um ser humano raro. Ainda é difícil, ainda dói, vai doer sempre, e sei que a vida nunca mais será a mesma. Mas tudo isso é pelo amor, e amor nunca tem culpa de nada.
Acho que posso dividir isso com vocês que um dia passaram por aqui.
Carta do mês de Junho de 2008
Diante do trator que passou pela minha vida e da minha família encontrar razões para acreditar na vida, na felicidade e no amor parece bem difícil. Mas de forma mágica algo nos fortalece, e hoje nem posso dizer ainda que chamo essa força de Deus, ainda não sou tão evoluída para aceitar como as coisas aconteceram… mas posso chamar essa força de VIDA, essa coisa que é maior que a gente. E se todo sofrimento vem acima de tudo do AMOR imensurável que esse homem despertava em quem os conhecia, posso dizer que é esse AMOR que nos dá esperança de levantar e saber que temos que encarar um novo dia.
O sofrimento é grande demais e às vezes a revolta se faz presente e aí mudo o foco para o amor e dou como resposta a toda essa maldade o AMOR que nunca vou deixar de sentir pelo Junior, o meu príncipe.
Lutamos tanto, tanto, e muitos de vocês acompanharam nossa luta, mas o AMOR é tão soberano, que eu tantas vezes reclamei dessa situação, posso dizer que passaria por tudo novamente só para ter o gostinho de dizer que alguém que não tem o mesmo sangue que corre nas minhas veias passou a ter de forma mágica a partir do momento que nasceu o maior AMOR do mundo.
Eu não sei se todo ensinamento que tive com tudo isso irá me valer de algo, preferiria não saber de nada a passar por essa dor, mas posso dizer que aprendi muito com ele, com a sua falta de malícia, de comprometimento, com a forma que ele vivia sem dar satisfações e sem fazer média, de nivelar todos, com a sua inocência de não perceber o olhar preconceituoso e julgador das pessoas, porque no fundo ele sempre foi superior a tudo e a todos. E eu que tantas vezes me escondi atrás do orgulho, posso dizer que quando demonstramos fragilidade é que somos mais fortes. E que hoje eu só acredito em uma forma de AMAR, que é o amor sem julgamento, sem desistência, sem limites e com todos os excessos…
Se existir alguma explicação que não seja a brutalidade humana, posso dizer que o Junior foi para o céu tão cedo, porque foi muito superior para esse mundo, muito incompreendido, muito julgado, mas digo isso porque sou fraca e muitas vezes amarga, ele que tinha um olhar doce para tudo e diante dos maiores sofrimentos que já vi alguém passar na vida eu nunca o vi culpar o mundo e se amargurar mesmo sendo tão injustiçado. Então, se eu falasse isso para ele, tenho certeza que com o sorriso mais escancarado do mundo ele responderia para mim… “ que nada Gil eu fui muito feliz e vai tratar de ser também…”
Não precisamos amar todo mundo, mas aqueles que amamos já são dignos de serem amados até o fim, seja como for, com todo entusiasmo, perdão, verdade e coragem para que nossa consciência fique tranqüila e para que a gente experimente o maior prazer da vida que é AMAR. Eu posso dizer que fui a irmã que mais AMOU um cunhado na vida, ele teve a mulher que mais AMOU um homem na vida, ele teve os amigos que mais AMARAM um amigo na vida, ele teve uma sogra que mais AMOU um filho na vida… ele foi o pai que colocou as crianças mais lindas e fortes no mundo…
Isso me faz crer que ele viveu essa vida até os 32 anos mais do que os mais velhinhos, porque só fez AMAR e ser AMADO, sem um dia sequer da sua vida fazer planos, o seu plano era hoje, ele acordava cedo todos os dias e dormia tarde todos os dias, quando íamos para a praia nunca o vi voltando da praia antes do sol se pôr, e nem indo ver o mar depois das 10 horas, nunca o vi escutando música baixa, e nem dando um um abraço seco, ou um beijo que não fosse demorado. Também nunca o vi perdendo tempo falando da vida dos outros, ou destacando um defeito em alguém. Também nunca o vi com medo de viver e nem de morrer…
E naquele dia de manhã ele foi assinar a sua liberdade definitiva a noite se libertou totalmente de um mundo que não o pertencia.
Talvez ninguém entenda, mas só quem o conheceu e o amou sabe exatamente do que estou falando.
AMEM MUITO, ATÉ O FIM DAS CONSEQUÊNCIAS!!
Amo vocês…
Gill